| Acidente ocorrido na PR-281 entre Piên e Agudos do Sul, e setembro de 2024 foi um dos que entrou para as tristes estatísticas do Paraná - Foto: Alexandre Carvalho |
O Paraná foi o estado da Região Sul que registrou a maior taxa de mortes associadas a ocorrências no transporte terrestre em 2024. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento, o Paraná registrou taxa de 23,9 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes. O número ficou acima de Santa Catarina, que teve taxa de 18,9, e do Rio Grande do Sul, com 16,2 mortes por 100 mil habitantes.
O estudo aponta ainda que, desde a retomada pós-pandemia, o Brasil voltou a registrar crescimento anual no número de mortes no trânsito, revertendo a tendência de queda observada no final da década passada. Entre os fatores apontados estão os reflexos da crise econômica iniciada em 2015 e o aumento da vulnerabilidade no trânsito brasileiro.
Para a análise estatística da mortalidade no trânsito, foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, em conjunto com secretarias estaduais e municipais de saúde. O levantamento considerou o período entre 2014 e 2024, abrangendo parte das ações previstas no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRANS).
Quase 30 mil mortes no Paraná em 10 anos
Os números do Paraná impressionam. Entre 2014 e 2024, exatamente 29.250 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito no estado. Os dados anotados a partir da pesquisa mostram que o maior número de mortes ocorreu em 2014, quando 3.047 pessoas morreram em ocorrências no trânsito.
Mesmo nos anos de menor registro, os números permaneceram elevados. Em 2019, por exemplo, foram contabilizadas 2.421 mortes — o menor índice do período analisado. Já em 2024, último ano da coleta de dados, 2.821 pessoas perderam a vida nas estradas e vias urbanas do Paraná.
Santa Catarina teve menor número de mortes do Sul
Entre os estados da Região Sul, Santa Catarina foi o que registrou o menor número de mortes no período analisado. Entre 2014 e 2024, o estado contabilizou 16.519 mortes associadas a acidentes de trânsito. Somente em 2024, foram registradas 1.521 mortes no estado catarinense.
Rio Grande do Sul soma mais de 19 mil mortes
No Rio Grande do Sul, os números também chamam atenção. Conforme o levantamento, 19.633 pessoas morreram em acidentes de trânsito entre 2014 e 2024. Apenas no ano passado, 1.820 mortes foram registradas no estado gaúcho.
Mais de 65 mil mortes no Sul do Brasil
Somando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os três estados da Região Sul registraram 65.402 mortes no trânsito entre 2014 e 2024. Somente em 2024, foram contabilizadas 6.162 mortes nos três estados sulistas.
Motociclistas seguem entre as principais vítimas
Outro dado destacado pelo Atlas da Violência 2026 mostra a consolidação das motocicletas como o modal de maior risco no trânsito brasileiro. Entre 2023 e 2024, o número de mortes envolvendo motociclistas aumentou de 13.477 para 15.459 vítimas fatais.
O estudo também chama atenção para a importância do transporte público na redução da mortalidade no trânsito. Apesar do crescimento proporcional das mortes envolvendo ônibus, o modal segue representando a menor parcela de vítimas entre os veículos motorizados, mesmo concentrando grande parte dos deslocamentos urbanos.
Pesquisa aponta caminhos para reduzir mortes
O levantamento também apresenta medidas consideradas essenciais para reduzir a violência no trânsito brasileiro.
Entre os principais pontos destacados estão:
- Redução da velocidade nas vias urbanas e rodovias;
- Ampliação da fiscalização eletrônica;
- Medidas de acalmamento do tráfego;
- Fortalecimento da educação para o trânsito;
- Maior aplicação dos recursos arrecadados com multas em campanhas educativas e ações preventivas.
Segundo os pesquisadores, pequenas reduções na velocidade média dos veículos podem gerar quedas significativas no número de mortes e feridos graves, principalmente em um cenário com alta presença de motociclistas e pedestres vulneráveis.




